| Desta vez a razão pela qual deixámos aqui este cantinho mais sossegado durante o fim-de-semana está directamente relacionada com a visita da nossa querida amiga Coquette, que chegou na sexta-feira à noite acompanhada pelo Fifi, o poodle. Diga-se desde já que trouxe presentes para todos.
Acabei agora de a levar ao portão da quinta e despedir-me dela: apanhou um táxi e voltou ao aeroporto, em busca de novos destinos sofisticados.
Ela é de mais. Assim que chegou, cheia de humor e confiança, metralhou-nos com histórias sobre o glamour de se viver esta vida intensamente, de buscar a elegância e o bom-gosto, a expressão artística latente em cada um de nós, e outras coisas mais. Pus-me a ouvi-la com ar distante, com um olho no burro e outro no cigano, que é como quem diz, atento ao que dizia, e como se mexia, os seus gestos e os esgares, mas também alerta para as reacções que se produziam nos meus compadres rurais. A minha mui querida Vaca Louca - de quem certamente já terão os leitores habituais estranhado a ausência - que recebeu uns perfumes parisienses e uns vestidos de época, que a deliciaram, tem estado muito ocupada com a sua nova actividade, a qual "é perfeita para a minha forma física e realiza de forma adequada a mais profunda expressão da sensualidade artística, que me define", segundo já a ouvi. Já adivinharam: o ballet.
Salvo raras ocasiões em que a vi na risota com a Coquette, tem estado a praticar os movimentos, a inventar coreografias, e até a desenhar novos modelos de sapatilhas, que lhe permitam total liberdade de movimentos e sólida segurança na aproximação ao solo após as piruetas.
Diz que não foi nada difícil aprender e dominar a técnica de dançar em pontas, o que naturalmente confirma a sua estupenda aptidão para esta arte.
Não há dúvidas de que foi uma experiência interessante esta visita. Mas, de alguma forma, creio que o que sinto, agora que se foi embora, é alívio por ter a certezinha que amanhã por esta hora já todo o bulício da quinta terá voltado ao normal. A não ser para o Tobias, um dos nossos cães-pastor.
O Tobias caiu na asneira de prestar demasiada atenção à Coquette. Bom, parece-me que sempre teve a mania que era playboy, mas, desta vez, sempre de volta dela, a abanicar-se e a fazer-se às festinhas, parece ter sucumbido ao estilo fatale da nossa amiga, e estou em crer que o presente, que lhe calhou logo à chegada dela - uma enorme e repenicada beijoca na testa - fez toda a diferença. Já o ouvi dizer que nunca mais lava a cabeça, para não perder aquele tesouro. Tadito, vai corroer-se de saudades...
plantado por Badalo @ 16:42 |
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