A Vaca Louca e Seu Badalo
A Louca Vida no Campo
     outubro 22, 2004

Breve História do Insulto 

 


Antigamente - e quero mesmo dizer antigamente - as relações sociais eram um tanto básicas, orientadas pelos princípios selvagens da sobrevivência e da continuidade da espécie. É claro que hoje em dia também, mas noutros moldes. Enfim. Seria normal um homo sapiens, querendo vexar um seu companheiro de tribo ou um nómada mais calinas que com ele viajasse, se lhe dirigisse: "Seu... seu... Neanderthal!" Existem registos que confirmam que a expressão "Vexa é um grandessíssimo troglodita!" era também mais ou menos corrente.
Com o passar do tempo, sobretudo com a entrada na Idade Moderna, vários melhoramentos foram introduzidos no mester de insultar. "Apre! Vossa Mercê é uma autêntica cavalgadura!". "Lerdo" e "imbecil" conseguiram gozar de impacto apreciável para o desejado efeito já no século passado, época em que podemos também encontrar pérolas como a do nosso Vasco "Chapéus há muitos, seu palerma!"
Hoje em dia, em pleno séc. XXI, esta ainda misteriosa actividade do insulto desbrava caminhos através de duas vias fundamentais: a tecnológica e a élfica(*). É desta forma que assistimos a exclamações como "troll!" e "tecla 3", sendo que esta última representa um dos mais poderosos insultos de que tomámos conhecimento, por conseguir cumular o sentido do inglês surdo(a) com a conhecida abreviatura para deficiente (**).

__________

(*) - Em latu sensu, naturalmente, por não se referir ao que é próprio dos elfos em particular, mas às criaturas do imaginário em geral.

(**) - Para quem não tenha entendido totalmente este exemplo, sugere-se o visionamento de um qualquer teclado telefónico-celular. Tecla 3, pois.

plantado por Badalo @ 13:40 |

   
     outubro 16, 2004

Sem Comentários 

 

A Tragédia, o Drama, o Horror...

plantado por Badalo @ 13:50 |

   
     outubro 14, 2004

Receituário 

 

Melros Perlados c/ Molho Azeviche

I. - Ingredientes:

1 espingarda de pressão d'ar
1 caixa de chumbinhos (20 unidades; 250 unidades para os mais zarolhos)
4 dúzias de ostras com pérola
3 rolhas e um isqueiro (para preparar o molho)
1/2 Limão
Sal q. b.

II. Modo de Preparação:

Esta receita é estupenda para ocasiões sociais de relevo e decerto irá fazer furor entre os seus amigos, ou não. Aliás, o melhor é esquecer tudo isto - por ser totalmente desprovido de conteúdo ou sentido - e mudarmos de assunto. Bola, por exemplo. Há que tempos que ando para explicar as razões aparentes e/ou subtis que estão por detrás da fenomenologia global do impacto que o desporto-rei, o football, tem efectivamente nos tempos modernos.
Quanto a mim, e tentando não ser demasiado ecléctico, creio que o mérito maior do futebol é o de permitir e/ou promover a sua fruição multi-nivelada. Ou seja, e trocando em miúdos, satisfaz vários gostos e níveis de fruição. Desde os mais bárbaros e básicos que passam por fumar uns charros e beber uns copos antes de se meterem num estádio com a trupe inteira e invadir o recinto oficial de jogo e quase vazar o próprio olho com um pau de bandeira quando a equipa adversária marca um golo, aos que aferem os azimutes todos da bola relativamente ao esquema táctico de uma e outra equipas, encaixando-se estas variáveis a quatro dimensões (altura, largura, comprimento e tempo), ou se dedicam a apreciar a forte juridicidade contida no jogo. Se por um lado o desafio pode ser observado como uma batalha entre duas tribos, também o poderá ser sob o ponto de vista da aplicação do direito, do factor atlético, ou da simples arte de dominar uma esfera em movimento.
Quanto à referida juridicidade do jogo - espelhada nas regras aplicáveis - confesso que me perco em considerações sobre o que é que pode e deve ser considerado falta (quando um jogador é derrubado ou cai por acção de um adversário). Mas há outras subtilezas engraçadas de se observar. Nas transmissões televisivas dos desafios é habitual os telespectadores serem brindados com informações estatísticas fornecidas pela produção (tempo de posse de bola em percentagem, número de cantos, de pontapés livres, etc.) cujos critérios me parecem, para dizer o mínimo, duvidosos. É costume vermos no ecrã: «faltas cometidas: equipa a - x faltas; equipa b - y faltas». Mas... faltas cometidas?? Não! A estatística só poderia publicitar as faltas assinaladas pelo juiz da partida - o árbitro - o que não coincide necessariamente com as que realmente foram perpetradas. Um bom exemplo disso é a falta sofrida pelo nosso Cristiano Ronaldo ainda nos minutos iniciais do jogo da Selecção de ontem à noite, de que nos lembraremos facilmente por ter ocorrido dentro da área dos russos e deveria ter dado origem a uma penalty. Vimos que foi cometida, mas não foi assinalada. Pois.

plantado por Badalo @ 18:28 |

   
     outubro 13, 2004

Cuidado! Eles "Andem" Aí 

 

Ora pois bem, caros amigos, cheguei à conclusão que esta quinta deve ser um epicentro de caos cósmico, ou então somos uns tipos com um azar infinito.
Quem é assíduo leitor já sabe que a quinta é propensa a tempestades, raios e relâmpagos demolidores, a cheias e inundações e ao aparecimento de visitas estranhas. Mas até aqui tudo bem, acabámos por nos habituar, e estes percalços até já fazem parte da rotina daqui. Mas desta vez a coisa passou das marcas. Passo a contar:
Há uma semana apareceram aqui no portão da quinta cinco figuras. Como boa anfitriã, fui recebê-los e tentar saber o que desejavam. À medida que me vou aproximando, vou ficando mais estupefacta e pensativa: “De onde conheço eu estas caras? Mas será possível?”. Era mesmo, De repente, vi-me cara a cara com a Rua Sésamo. Sim, ao portão estava o Egas, o Becas, o Gualter, o Monstro das Bolachas e o Elmo. Depois de superado o espanto, veio a alegria, que ter tão nobres personagens na quinta é uma honra, achava eu.
O que me foi dito é que, a caminho de um espectáculo que estava agendado, tinham ficado com a carrinha atolada, e que agora não a conseguiam tirar.
Tratei de tudo para os ajudar, e lá mobilizei alguns animais para a difícil tarefa de tirar a carrinha da lama. Ainda ali estivemos, à vontade, duas horas e picos certas. Mas conseguimos. Nesta altura, dei-me conta que já estava a anoitecer e convidei todos para uma jantarada, e até ofereci cama lavada, que logo foi aceite com agrado.
O jantar passou-se animado, com muitas histórias à mistura e regado de um bom vinho, que fui, especialmente, buscar à adega. Os animais estavam encantados com as visitas, principalmente a Jaquina, que já estava a arrastar a asa ao Elmo. Já ía a noite alta e o cansaço começou a apertar e decidimos que estava na hora de ir para a caminha, o que foi feito imediatamente.
Já estava eu aninhada na cama, quando começo a ouvir um terrível estardalhaço, e um cacarejar aflitivo. Saí disparada da cama e fui a correr em direcção ao som. Qual não é o meu espanto, quando vejo os bonecos da Rua Sésamo a tentarem raptar a Jaquina. Passei-me!! Mas passei-me mesmo! Acho que até verde devo ter ficado. Não sei como, mas às tantas, já estava envolvida numa briga das feias, onde disparava coices e até já tiros e facadas parecia haver. E só acabou quando dei um tabefe no Monstro das Bolachas, que o colou à parede do celeiro. Lá se puseram em fuga, mas a Jaquina ficou a salvo.
Agora digam-me lá se este mundo não está perdido? É que nem em Bonecos com intuitos pedagógicos se pode confiar. Está tudo maluco.

plantado por Vaca Louca @ 13:40 |

   
     outubro 07, 2004

Exclusivo!! 

 

Vou contar tudo! Elaborei o mais furtivo e minucioso dos planos para infiltrar-me na famosa Quinta que está a agitar o país e conseguir uma entrevista exclusiva com o Cromo n.º 1 de Portugal. Afinal de contas, nem precisei de disfarce especial (a segurança é froixa quanto ao acesso a Badalos). Porque o tempo urge, passamos de imediato à transcrição da entrevista possível:

Badalo - Bom dia, senhor. Umas perguntinhas rápidas?
Cromo n.º 1 - Ai que rico, que rico, a produção não pára de me espantar. Uma entrevista exclusiva para moi...
Badalo - Não foi a produção que me enviou, senhor, espero que não seja um inconveniente...
Cromo n.º 1 - Claro que não rico, dispare, dispare à vontade enquanto aqueles piolhosos não nos topam. Não queremos que façam cenas e nos incomodem, aqueles invejosos, não é assim?
Badalo - Com certeza, senhor! Bom, ouvi com atenção algumas coisas que contou ao país e lembro-me claramente do que disse quanto ao objectivo de certos esclarecimentos. Que queria que se soubesse, publicamente, que não é gay e que os únicos shows que fez foi na sua condição de fashion model. É assim?
Cromo n.º 1 - Ó rico, faça lá perguntas decentes. Se ouviu, qual é a dúvida?
Badalo - Sim, mas desabafou que havia pessoas que diziam isto e aquilo e que participou em actividades duvidosas e que era uma espécie de vítima da má língua...
Cromo n.º 1 - Sabe o que é que essas pessoas têm que se fartam? Inveja, inveja, inveja, do meu glamour e savoir vivre... Nunca viram nada daquilo que falam mas entretêm-se a tentar denegrir-me...
Badalo - A denegri-lo?
Cromo n.º 1 - Com certeza! Inventam tudo o que lhes apetece...
Badalo - Ouça, longe de mim querer contrariá-lo, mas já que está preocupado com o que o público pensa...
Cromo n.º 1 - ... sim?
Badalo - Na minha condição de "público" posso dizer-lhe que nunca ouvi qualquer história sobre travestis ou desfiles ou shows de qualquer espécie em que tivesse participado, mas muito sinceramente ao olhar para si...
Cromo n.º 1 - ...sim?? (esbugalhando - mais ainda - os olhos)
Badalo - Calculo que tenha uma relação próxima com o espelho... Já experimentou olhar com olhos de ver? Os trejeitos, os tiques, as manias, o ar afectado...
Cromo n.º 1 - Olhe, acho que já percebi tudo. O rico está aqui para aborrecer-me. Aposto que em vez de estar a escrever para uma revista da alta roda está a representar um jornaleco pindérico qualquer e... e... de certeza que põe o guardanapo à direita! (revira os olhos com ar enjoado). Esta entrevista a-ca-bou. Passe bem.
Badalo - É claro. Só mais uma coisa: já pensou em fumar menos?
Cromo n.º 1 - (com olhar fulminante) Saia já daqui ou chamo o brasileiro!

E eu saí, claro, não por causa do brasileiro - que apesar de parecer um armário até é simpático - mas porque já se fazia tarde para o almoço.

plantado por Badalo @ 13:31 |

   
     outubro 01, 2004

Ronquinho, o Porco 

 

Depois da última tempestade, a pocilga sofreu alguns danos. Lá tive de meter mãos à obra e reparar os estragos, com a ajuda de alguns animais.
Ora durante esta jornada, apareceu por lá um porquito, muito engraçado, que passou o dia atrás de mim, bombardeando-me com perguntas:
- Como chamas?
- Vaca, Vaca Louca.
- E ele?
- Badalo.
- E aquele?
- É uma aquela, chama-se Jaquina.
- "Porqué" que tens manchas no corpo? É alergia?
- Não, há muitas vacas que têm malhas, é normal - nesta altura o meu pensamento já andava perto do "Irra, porco chato."
- Também tens cornos. Isso é normal?
- Sim.
- Também posso ter umas malhas como as tuas, Vaca?
- Bem, na verdade não. Tu és cor-se-rosa e assim serás sempre. Mas talvez te possa ajudar. Amanhã falamos, agora deixa-me acabar este trabalho.
E lá foi o porquito embora.
No dia seguinte, ainda eu dormia, aparece-me ele a gritar:
- Vaaaaaccccccaaaaa!! Então? Já trataste do meu assunto.
- Olha lá, como é que tu te chamas?
- Ronquinho.
- Muito bem, Ronquinho. Para começar, o galo ainda nem cantou e já tu estás aqui a chatear, mas como me pareces bom porquinho, tenho a dizer-te que sim, está tratado. Amanhã entrego-te a surpresa.
- Ena! Ena! O "qué"? O "qué"?
- Vais ter de esperar até amanhã.
Que remédio teve ele, lá esperou, o pior é que passou todo o santo dia atrás de mim.
- Já é amanhã?
- Não!!
Felizmente a minha encomenda chegou de manhã cedo, senão tenho a impressão que o esganava.
Assim que ele viu o presente, os olhitos encheram-se de alegria:
- Ó Vaca Louca, muito obrigado, são lindos.
E na verdade são. Vejam lá se não lhe ficam bem? O problema é que agora tenho a bicharada toda atrás de mim, a dizer que também quer umas destas pantufas.



plantado por Vaca Louca @ 23:10 |

   
     


 

O Parzito
Ó Pra Nós

Tractor de Busca

A Parada

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