A Vaca Louca e Seu Badalo
A Louca Vida no Campo
     junho 27, 2005

Toda a Verdade Sobre Pandora (não, ainda não é desta que é sobre a Pamela) 

 


Um destes dias apareceu-me a Porcina, a nossa porca, com um semblante um tanto descaído. Perguntei-lhe que se passava. Ela acabou por desabafar:
- Estou muito gorda, Vaquinha. Olha para estas camadas de touchinho - exclamou repuxando as peles.
- Não te devias deixar abater por isso, olha, na verdade a culpa nem é tua, a culpada é uma tal de Pandora. - repliquei, tentando animá-la
- Pandora? Quem é essa?
- Eu conto-te como tudo aconteceu:
"Nos antigamentes tudo era diferente, quem dominava eram os Deuses, o equivalente aos nossos mafiosos, só que com mais barba e menos brilhantina, mas adiante, havia acima da terra o Olimpo, que muito recentemente se descobriu que foi o primeiro arranha-céus construído por uns tipos com ideias mirabolantes. Só como o pessoal na terra era um bocado azamboado, por causa dos fumos intro-inspiratórios que os filósofos inalavam e expandiam para o ar, começaram a dizer para lá que aquilo era a moradia dos deuses, nunca se dando sequer ao trabalho de reparar que o edifício tinha elevador. Ora, o boss lá do pedaço era um tal de Zeus, que se achava um carola, e não gostava muito da ralé cá de baixo, mas também havia um manfias que gramava da ralé e resolveu ir chatear o Zeus, roubando-lhe o isqueiro.
Erro crasso! O Zeus ficou danado, até porque os isqueiros ainda não tinham sido inventados, e ele conseguira o seu por encomenda aos japoneses, e além de tudo o mais, o tipo fumava desalmadamente. No âmago da sua fúria contra o desgraçado, que se chamava Prometeu, resolve contratar uma actriz de segunda, portadora de grande beleza, e assim, se juntaram para fazerem perder a cabeça da ralé.
A tipa era do mais boazuda que possa haver e mal se apanhou à solta começou a fazer estragos, mas o objectivo tinha um nome: Prometeu. Mas ele topou-a a léguas e não lhe deu bola, o que não aconteceu com o irmão, pois mal a viu decidiu que se iriam casar. E assim foi.
Passaram-se tempos sem que nada acontecesse, a não ser a advertência de que Pandora (era o nome da boazuda) nunca deveria abrir uma caixa que se encontrava arrecadada na dispensa. Só que a curiosidade acabou por vencer e Pandora abriu-a. E viu umas coisitas castanhas e reluzentes, cheirou-as e acabou por comer uma: chocolate. E assim apareceram as mulheres gordas. E quem diz as mulheres diz as porcas..."
- Gostaste? - perguntei.
- Gostar, gostar, gostei. Sacana da Pandora!

plantado por Vaca Louca @ 20:02 |

   
     junho 26, 2005

Basin City 

 

Bom, deixa cá aproveitar que é fim-de-semana (e isto fica às moscas, por assim dizer) para contar o que aconteceu ontem à tarde:
Estávamos nós a tratar da nossa vidinha quando uma grande nuvem de pó começou a ser visível na linha do horizonte. À medida que se aproximava foi possível ir percebendo que se tratava de uma grande caravana de automóveis e de camiões pesados, que, para nosso espanto, se imobilizaram à frente do portão este da Quinta e donde saíram cerca de duas dezenas de indivíduos que, sem pestanejar, se dedicaram a montar um gigantesco ecrã. «Não é o maior ecrã do mundo, mas tem o sistema de som mais potente», disse um deles, sorrindo.
Perguntei à Vaca Louca se sabia o que era aquilo tudo e a Pombura lá me esclareceu que tinha telefonado para um programa de rádio e tinha ganho um prémio para todos. Teríamos matinée!

Foi desta forma que tivémos oportunidade de assistir à exibição de um filme muito curioso e que despertou as mais diversas reacções entre os animais da Quinta, coisa que me agradou observar e registar.
Através de um elenco interessante assistimos à representação de histórias entrecruzadas passadas em Basin City, tão obscuras e cruamente violentas quanto o são a sua versão original em formato BD, conduzidos pela batuta de Frank Miller, o desenhista criador, e Robert Rodriguez, contando ainda com a participação do Quentin Tarantino, que ainda há dias tinha vindo à Quinta tomar chá.
Acabada a sessão, havia esgares de terror, sorrisos, e alguns olhos esbugalhados. A Vaca Louca achou que o aspecto visual estava realmente muito bem conseguido mas para além disso não se sentiu impressionada. Os porcos não se calavam, grunhindo consecutivamente o nome de Jessica Alba (aliás, de cada vez que esta aparecia em cena, o estardalhaço porcino era evidente); as galinhas revelaram que estavam chocadas com a tónica de vozes guturais que domina todo o desenrolar da acção, as ovelhas acharam que «há violência gratuita em demasia»; a Jacarina Crocodilova ficou um tanto baralhada com o sangue que salpica em diversas cenas, pois que dumas vezes era branco, outras amarelo, e só de vez em quando vermelho. O Jeco achou estar muito próximo do original, e, tendo em atenção a diferença óbvia entre as linguagens da Banda Desenhada e do Cinema, louvou o esforço dos autores em preservar ao máximo a obra no seu estado puro.
Pessoalmente, achei a personagem Miho fascinante e considero que deveria conseguir a sua própria série TV.

plantado por Badalo @ 12:01 |

   
     junho 23, 2005

Na Lista Negra 

 

Jeco, o nosso burrico contabilista - o tal que desaparecera sem deixar rasto e que motivou um pedido de socorro com oferecimento de alvíssaras - voltou connosco para a Quinta, já que afinal fora a primeira vítima daqueles malditos coisos do outro mundo que nos levaram, a mim e à Pombura, este tempo todo, e foi agora devolvido à liberdade através da arrojada acção de fuga empreendida.
Pelas sevícias que sofremos, na primeira ocasião em que cá na Quinta com ele me cruzei nem dei atenção ao seu semblante comprometido e cabisbaixo, como se quisesse evitar o encontro dos nossos olhares. Mas à terceira vez achei exagerado e interpelei-o. "Que se passa, e tal?" e coisas assim. Gaguejou tanto, tremelicou de tal forma, que me subiu a mostarda às vias nasais e apertei com ele. Desbroncou-se todo ao fim de um pedaço.
este não é o Jeco mas também não importa
Então não é que o seu ar de comprometido se devia ao facto de ter tido conhecimento, por vias não apuradas, do teor de um determinado comunicado da Redacção desta Quinta Electrónica que estará para ser formalmente emitido e que me será notificado a breve trecho? E será de aceitar que tal memorando contém um relatório exaustivo sobre a estatística retirada dos vários contadores de visitas que registam os acessos a esta página, com uma espantosa conclusão, a saber: que durante as dez semanas em que os cronistas estiveram ausentes e impossibilitados de publicar, a média de visitas diárias nunca baixou dos setenta e que, mal se retomou a normal actividade editorial, essa média conheceu uma queda dramática para valores próximos dos cerca de sessenta e tais, certinhos? E que, por uma questão de lógica, a Redacção viu-se na contingência de ter de encomendar um orçamento a um grupo de moldavos da desconstrução civil no sentido de apurar se será contabilisticamente suportável contratá-los para nos darem um sumiço durante mais umas semanas, com o objectivo de retomar a alta de visitas??
Acho que vou ali convocar uma reunião com o que sobrou das galikazes...

plantado por Badalo @ 20:45 |

   
     junho 22, 2005

Galikazes à Vista 

 

A nossa vida no campo é cheia de surpresas.
Não bastava a ausência forçada, devido ao rapto dos alienígenas, agora tenho, de novo, problemas à perna por causa da Jaquina, a galinha.
Com a nossa ausência parece que se lhe insuflou uma veia ditadora que desconhecia, tomando-se de razões, dominou a restante bicharada. Até aqui nada de mais, não fosse a sua prepotência. Mas a coisa lá se arranjou da melhor maneira. Logo que regressámos, e depois de muita discussão ela lá se axandrou e voltou ao galinheiro, parecendo tomar a atitude amistosa de sempre.
Mas foi um engano.
Como sabem os mais assíduos leitores, o capataz não é flor que se cheire, homem do campo, embrutecido pela vida laboriosa, sem qualquer respeito pelos bichos. As galinhas são das principais vítimas, pois de quando em vez lá salta uma para a panela, a pretexto de se fazer uma canjinha ou uma cabidela para o senhorio. Isto faz com que as bichezas vivam no terror de quando será a sua vez.
A Jaquina, farta daquela discriminação lançou mãos à obra. Reuniu a galinhagem e traçou um plano. A revolta ia começar. Óbvio que eu só soube disto aquando da execução do plano, apesar de ter a obrigação de ter suspeitado que algo se passava no galinheiro, pois o silêncio sepulcral que de lá emergia durante a noite não poderia agoirar nada de bom.
Pois chegamos então ao belo dia em que acordo para ir para o pasto e me deparo com o espectáculo. Todas as galinhas, em fila pirilau, de óculos de aviador, em frente à porta principal da casa, tendo como mestre de obras quem? A Jaquina, claro está.
Aproximei-me, um pouco a medo, confesso, pois sei que daquela cabecinha só sai disparate, e perguntei-lhe que se passava.
- Acabou a época de terror, vamos hoje provar que galinha apetrechada jamais será apanelada!! – respondeu-me a maluca da Jaquina.
- Queres explicar-me que se passa, ou vou ter de vos enxotar aos coices?
- Bem, o plano é o seguinte, e repara que isto é uma estratégia pensada e repensada, formei uma série de galikazes, que vão atacar a porta, em forma de protesto…
- Formaste o quê?? – perguntei, apesar de intuir que não ia gostar da resposta.
- Galikazes, galikazes. Galinha altamente treinada, com as mais sofisticadas técnicas de combate, dispostas a morrer pela nossa causa…
- Hei, hei, xôô – interrompi – Qual causa? Qual combate, mulher?
- Oras, a causa “O Galinhéu não é petisco do gadaréu!”
- Chiça, tu estás cada vez pior. Então em que consiste o plano, Jaquina?
- Simples, como podes observar, o meu pelotão está equipado com aqueles óculos, vês? – explicou-me ela, apontando efusivamente para as outras galinhas. Quando olhei com atenção tive de conter, a custo, uma gargalhada. Estavam ridículas. – Depois, como se percebe, estão estrategicamente colocadas em fila, em frente à porta, depois tomam balanço e arremessam-se para a porta, morrendo e deixando bem claro a nossa mensagem. A Galinhagem é que escolhe a hora da passagem!
Sorri e afastei-me dizendo:
- Ai é? Então boa sorte. – E fui à minha vida.
Quando voltei, ao fim da tarde, constatei o que imaginara.
Lá estavam as galinhas todas, não bem no mesmo estado em que as deixara. Estavam umas de ligadura na cabeça, de óculos estilhaçados, outras cheias de enxaquecas e as mais variadíssimas dores corporais, mas a generalidade nem estava muito maltratada.
Fiquei também a saber que a coisa começou a correr mal para a Jaquina, quando, as galinhas que já iam na quinta rodada, perceberam que a Jaquina continuava a inventar desculpas para não se chegar à frente.
O que prova que as galinhas nem são assim tão estúpidas.
Está no galinheiro, a recuperar.
Nada de grave, ela prometeu voltar com um plano ainda mais genial.
Ainda dizem que a vida no campo é entediante.

plantado por Vaca Louca @ 19:51 |

   
     junho 21, 2005

As Grandes Questões do Séc. XXI 

 

Agora que uma das minhas principais demandas chegou ao fim - com o encerrar do dossier xis, respeitante aos nossos visitantes do outro mundo - torna-se urgente encontrar uma outra que em nada lhe desmereça em dignidade científica e aplicabilidade prática. Foi nessa medida que me deixei inspirar pela ideia de publicar uma série de estudos submetidos à temática: Questiúnculas Teorético-Pragmatísticas de Relevo nas Sociedades Ocidentais Ou Até Meramente Ocidentalizadas.
Naturalmente que todo este processo se inicia pela fase instrumental de recolha de dados atinente à construção mental de uma ideia essencial sobre qual seja exactamente o objecto de estudo. E confesso que neste momento, no meu precioso livro de notas, só se encontra um breve prefácio, a saber:

«Mais valia estar na praia

(Querida! Viste os meus comprimidos?)


plantado por Badalo @ 12:35 |

   
     junho 18, 2005

Fi-Nal-Men-Te!!! 

 

Finalmente conseguimos voltar à nossa vida. Contado ninguém acredita, mas mesmo assim resolvemos dizer o que aconteceu nestes dois meses e picos.
Podemos adiantar que sempre tivémos razão. Razão essa que vem de um profundo e sistemático estudo, muita intuição e um enorme conhecimento do sobrenatural. E de seres maléficos. Esses que nos capturaram sem apelo nem agravo - os cobardes! - e nos infligiram a mais indizível casta de sevícias, que o pudor nos impede de relatar. No entanto em nada cedemos. Ambos aguentámos, firmes e hirtos (como uma barra de ferro), todas as torturas que sofremos durante estas dez semanas, e nada desvendámos sobre a nossa Terra àqueles maléficos bichóides extraterrenos.
Now we're after YOUSim, foram torturas assaz e verdadeiramente horripilantes, tanto que tivémos de andar a tirar chips à dentada nas dobradiças dos joelhos, coisa dificultosa, devido à compleição de cada um de nós. Mas heroicamente, sobrevivemos e voltámos para contar a nossa façanha. E, aliás, podemos voltar a contar tudo aquilo que queremos contar, como nos bons velhos tempos!
Só que agora já não os tememos. Já nos apanharam. Já lhes escapámos. Agora sabemos quem são.
"We come in peace", começaram por dizer.
E agora dizemos nós:
"Hasta la vista, baby!"

(kick)

plantado por Badalo @ 20:00 |

   
     


 

O Parzito
Ó Pra Nós

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