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A imagem fala por si. Não por si, leitor(a), mas por si-mesma. Pois. E já estou a antecipar alguns sorrisinhos que se estampam na cara de quem nos lê. "É mesmo assim" dirão elas com a réstia de lástima que ainda conseguem sentir. "É isso mesmo" dirão eles com a réstia de orgulho macho, ainda que escondido, que poderão sentir. Mas... será assim mesmo? Ou temos vindo a assistir nos últimos tempos à inversão da ideia veiculada no cartaz supra exposto?
Peguemos no fio à meada. Há estudos que nos explicam os factores de atracção e suas diferentes manifestações perante os dois géneros, ou sexos, masculino e feminino. A base - científica, sublinhe-se - está no impulso sexual da reprodução, algo de amigdalar, que, na sua essência, se reduzirá à causa natural: as mulheres irão passar pela experiência da procriação duma forma muito diferente da dos homens. Desde logo porque o seu período fértil é delimitado, mais ou menos mensalmente, e no caso dos homens é uma questão de minutos até que o corpo se prepare para nova descarga de células reprodutoras. Por outro lado, será muito mais fácil ao macho abandonar a(s) cria(s) mesmo antes dela(s) ter(em) nascido do que à mãe. Para além disso, as próprias características que os indivíduos procuram nos seus parceiros quando se toma em conta o impulso da procriação, são comprovadamente diferentes. Se é certo que ambos os sexos estimam a inteligência como factor primacial, a partir daí a lista difere bastante. As fêmeas naturalmente irão dar valor à confiança e estabilidade do parceiro, o futuro pai, ao passo que os machos quererão saber disso em muito menor grau, até por que o seu estímulo é muito mais visual. E não querem escolher a melhor de todas as possibilidades, como elas. Querem escolher todas.
Assim, o critério deles é espalhar a semente o mais possível; o critério delas é fecundarem-se o melhor possível. E agradeço que não sorriam dessa forma, que o que falamos aqui é sério.
Tem sido assim e daí o mito (a expressão mito nesta sede é da inteira responsabilidade do Autor deste artigo) transposto e ironizado na imagem que serve de suporte a este escrito. Mas... será que não há mais nada a dizer? Será que nada disto está a mudar ou já se transformou? Será que nem sequer se inverteu? Pois eu diria que sim, fruto da emancipação da mulher - sexual, profissional e pessoal - facilitada por toda a tecnologia que permite desde as esterilizações até à utilização de uma crescente panóplia anticoncepcional. É aí que elas, cuja sede de poder é tão grande quanto a deles, ao descobrirem que o sexo fraco afinal é o masculino, se vingam de tempos imemoriais de dominação. Passam de presas a caçadoras. Servem-se dos seus atributos, e das fraquezas do macho - cuja obrigação genética é entrosar-se sexualmente tantas vezes quanto as que lhe for possível - para realizarem a antítese histórica da evolução da sexualidade.
Quero com isto dizer que a ideia do cartaz lá em cima já não tem o fundamento de outrora, e que perde-lo-á totalmente nas décadas vindouras, até que, eventualmente após necessárias rupturas de hábitos e mentalidades, tudo se harmonizará numa síntese de comunhão equilibrada e livre de parasitas. E vou agarrar-me a este argumento na esperança de que não me cataloguem de misógino, risco que corro tendo até em conta o timing da publicação deste artigo, neste Dia da Mãe.
plantado por Badalo @ 13:02 |
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