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Se eu pudesse falar pelos loucos - e talvez me falte a legitimidade tão-somente formal - talvez dissesse que nós não podemos deixar de sorrir ao olhar para este desenho. Talvez dissesse que nos enche de um conforto estranho, de uma alegria inexplicável, e, talvez, fosse tão atrevido a ponto de tentar justificá-lo; que é a metáfora para nós perfeita da nossa realidade, tão obscura para os lúcidos que tentam compreender-nos. (Ou descartar-nos. Ou apenas arrumar-nos num qualquer canto inócuo). Porque a mão que desenha é sempre ela-mesma o desenho, numa espiral absurda. E o que pudesse parecer apenas um joguinho gráfico, um exercício lúdico de um iluminado talento da criatividade plástica, pode muito bem ser para nós a realidade, toda ela imaginada, e por isso terrivelmente presente, como se Einstein tivesse, afinal, razão, e Deus jogasse aos dados, mas ainda não vo-lo tivesse revelado.
plantado por Badalo @ 22:28 |
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